Uma geração dividida entre ‘ser feminina’ e ‘ser feminista’

Dia Internacional da Mulher é todos os dias, exercendo nosso papel de mãe de meninos e meninas, incentivando o respeito, igualdade, identidade e autenticidade

A dualidade entre querer ser a heroína ou a princesa confunde, maltrata e cria adultos sem autenticidade

Uma geração dividida entre ‘ser feminina_ e ‘ser feminista_

Sou uma mulher adulta de 33 anos, mas ainda me sinto uma jovem de 27. E desde criança, ser feminina, delicada, bem comportada, uma verdadeira lady era quase uma obrigação. E as garotas que eu conheci seguiam o mesmo caminho, como uma produção em série de mulheres esteticamente perfeitas, inteligentes, trabalhadoras, estudiosas, porém… emocionalmente fracas. Por isso fui criada e instruída para ser independente financeiramente, mas emocionalmente a dependência era uma realidade gritante.

Cresci e me tornei uma pessoa carente, que teve que aprender o quanto a personalidade e autenticidade valem na sociedade tanto quanto um diploma universitário. E com o tempo fui aprendendo e desenvolvendo essas e outras habilidades sociais e passei a entender que eu poderia rir na altura que quisesse, onde quisesse, poderia conversar com homens de igual para igual, me vestir como quisesse e principalmente expressar minhas opiniões sem temer ser podada, como acontecia em casa frente aos pais e irmãos.

Talvez muitas das mulheres na faixa dos 30 e poucos se identifiquem com a introdução deste texto, já que as garotas nascidas no final dos anos 1970 e começo dos 1980, em sua grande maioria – me desculpem as que não se sentem assim -, eram moldadas para ser as ‘mulheres maravilha’. Esposas, donas de casa, profissionais de sucesso e mães exemplares. Acumulando funções e sendo cada dia menos valorizadas pelos esforços em manter a família erguida e o pão quentinho sobre a mesa do café da manhã.

 

 

002

Impor feminilidade desde muito cedo impede o desenvolvimento da própria personalidade e preferências

 

Por volta dos 15 anos, algo não me saía da cabeça: o quão injusto era o mundo para nós mulheres, pelo simples fato do restante da humanidade nos considerar o sexo frágil. Não sei a vocês, mas a história de que as mulheres conquistaram muito em anos de luta e queima de sutiãs em praça pública não me dizia muita coisa. Era como se estivemos nadando e morrendo na praia, massacradas pela dualidade de pensamentos… Ou você é feminina, delicada, amorosa, boa esposa, boa mãe e uma trabalhadora exemplar. Ou está fadada a morrer sozinha, lutando por ideais feministas que jamais serão realidade, morando sozinha em um apartamento com gatos.

Isso lhe soa clichê? Pois era a realidade. Passei a infância, a adolescência e parte da juventude dividida entre querer ser o que sempre idealizei: independente e politizada; e ser o que a sociedade me impunha: carinhosa, maternal e submissa. Enquanto estudava física, geopolítica, inglês e informática, passava tardes de domingo bordando ponto cruz.

Atualmente ambas as habilidades me servem no ‘exercício do papel da mulher na sociedade moderna’. Tanto os estudos, quanto as habilidades manuais. Mas e por dentro? Uma cabecinha que cresceu confusa, sem saber quais dos papéis era prioridade, independente da aceitação da sociedade. Uma vida achando que minha roupa sempre esteve inadequada e que meu corpo estaria maior que as proporções ditas normais. Tinha medo de expressar minha opinião e ser ridicularizada em público.

003

 

O padrão pode ser o mais aceitável, mas nem sempre o mais belo. Defenda a diversidade

 

Hoje, em pleno 2017, o Dia Internacional da Mulher precisa e deve ser tratado não de maneira comemorativa levando em consideração o direito de votar, usar métodos contraceptivos e estar competindo no mercado de trabalho. Mas sim, o levantar de uma bandeira que tem por objetivo igualar homens e mulheres como seres humanos que são. E olhar em volta quantas de nossas mulheres, da mesma faixa etária ou de outras, criadas para ser princesas, mas são tratadas como escravas e perdem a vida literalmente ou socialmente.

Por isso, ser mãe de meninos ou meninas, que seja madrinha, tia, irmã mais velha. Temos o dever de oferecer às novas gerações valores que estejam de acordo com nossos tempos. O respeito e igualdade para com as mulheres deixou de ser gentileza e se tornou preceito moral que deve ser trabalhado todos os dias, em sala de aula, em casa, na igreja ou em qualquer lugar que seja.

Por um Dia Internacional da Mulher com menos demagogia e mais ação, respeito e sororidade!

Por Clel Ribeiro

FB: https://www.facebook.com/clel.ribeiro

IG: @clelribeiro

#ColunistaMB

 

 

 

 

 


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s