VISÃO CRITICA DO ENSINO DE DANÇA PARA CRIANÇAS

Poucas pessoas que convivem comigo atualmente sabem que eu já fiz aula de dança durante oito anos quando eu era criança.

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Não era um tipo específico de dança. Era uma mistura de vários estilos.

É graças a esta prática que eu tenho pelo menos este mínimo de coordenação motora hoje em dia, e eu posso dizer que eu tenho um bom ritmo desenvolvido.

Mas não farei aqui um levantamento dos benefícios em se praticar dança, pois basta digitar este termo em um site buscador, que será apresentada uma lista completa.

Alem disto, já apontei varias vezes os benefícios da pratica de atividade física em meus artigos anteriores desta minha coluna.

Desta vez, venho discutir como as aulas de dança estão sendo desenvolvidas, e mostrar minha postura frente ao ensino da dança, principalmente ao se lidar com crianças pequenas.

 

O primeiro apontamento com relação ao ensino da dança, seja em escolas regulares, em academias, clubes ou escolas de dança, é a questão da coreografia. A única finalidade das aulas muitas vezes é a montagem e ensaio para uma apresentação final para o publico.

Não existe uma preocupação com o ensino e a aprendizagem.

Geralmente nestas aulas o professor ou professora faz a coreografia e os alunos devem apenas reproduzir os movimentos.

O processo não importa, o enfoque pedagógico não existe.

 

Meninos e meninas são meros executores, não estimulam o potencial criativo deles.

Os movimentos não partem do repertório da criança.

Muitas vezes os gestos somente acompanham o que a musica fala, por exemplo “coloca a mão na cabeça”, “põe a mão no joelho”, etc. Não há incentivo à criatividade e imaginação. Não explora as diferentes possibilidades de movimento.

Não permite que as crianças se expressem livremente.

A escola deveria estar sensível as vivências corporais que o indivíduo traz consigo permitindo desta forma que conteúdos trabalhados, se tornem mais significativo.

Ao ingressar na escola a criança já traz consigo uma bagagem. O professor deve saber aproveitar esses conhecimentos e a partir deles, promover outros.

Neste sentido Marques (in Carbonera e Carbonera, 2008) aborda que, para se fazer escolhas significativas seria interessante levarmos em consideração o contexto dos alunos, respeitando suas próprias escolhas, opiniões e criações.

 

Outro fator muito importante a ser relevado é não adotar uma rotina massificante, mecânica e repetitiva para o ensino da dança na escola.

Não se deve preocupar com a quantidade de atividades que serão desenvolvidas, mas sim, com a qualidade, adequação e principalmente uma participação espontânea, que acima de tudo proporcione prazer, para não cair em um processo instrucional mecanicista.

O professor tem que saber explorar o potencial do aluno, possibilitando seu desenvolvimento natural e favorecer o despertar da criatividade.

Cada aluno, dentro de seus limites e possibilidades executa os movimentos propostos não havendo nenhum compromisso em “acertar’’ ou “errar”, pois o objetivo é levar as crianças a descobrirem habilidades que desconhecia.

Neste sentido, muitas críticas têm sido feitas ao tecnicismo, ou seja, à valorização da boa execução técnica como um fim em si mesma. Ao mesmo tempo, propõe-se o movimento expressivo e criativo, sem um propósito de copiar os movimentos do adulto.

O estímulo à criatividade, a utilização de diversos materiais, a exploração de inúmeras possibilidades de movimento, as novas maneiras de se organizar o antigo, o esforço pelo inédito rompimento com os códigos aceitos devem estar imbuídos de um sentido.

Confirmando: “a dança na escola não deve priorizar a execução de movimentos corretos e perfeitos dentro de um padrão técnico imposto, que pode gerar competitividade entre os alunos. Deve partir do pressuposto de que o movimento é uma forma de expressão e comunicação do aluno, objetivando torná-lo um cidadão crítico, participativo e responsável, capaz de expressar-se em variadas linguagens, desenvolvendo a auto-expressão e aprendendo a pensar em termos de movimento” (PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS, 1997).

Habilidades naturais devem ser estimuladas, como o andar, correr, saltar, saltitar, equilibrar, rodopiar, girar, rolar, pendurar, puxar, empurrar, deslizar, rastejar, galopar e lançar.  Assim como o desenvolvimento das noções de tamanho, forma, agrupamento e distribuição (PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS, 1997).

Mais do que isto, a dança no espaço escolar deve buscar o desenvolvimento não apenas das capacidades motoras das crianças e adolescentes, como de suas capacidades imaginativas, criativas, e expressivas.

 

As aulas devem proporcionar variações ricas de estímulos, tanto da parte musical como da corporal. Da corporal, a exploração do conhecimento do corpo e suas capacidades; e da musical, noções básicas de diferentes ritmos e estilos de dança (dança de roda, clássicas, modernas, folclóricas, danças de salão, etc).

Pois este é outro ponto que gostaria de mencionar: a prática da dança no ambiente escolar ainda se realiza de forma muito restrita.

A diversidade cultural que caracteriza o país, tem na dança uma de suas expressões mais significativas, constituindo um amplo leque de possibilidades de aprendizagem, através de diferentes ritmos da dança ou atividades rítmicas e/ou expressivas.

Mas geralmente, quando os pais decidem colocar os filhos para fazer aulas de dança, geralmente pensam em balé.

Em se tratando das aulas de dança dentro da escola comum, deveria possível vivenciar vários tipos de dança, como as danças populares, dança de salão, street dance, entre outras.

No caso das danças folclóricas, infelizmente é contemplada somente em momentos específicos do ano, como em festas juninas, ou do folclore.

 

As danças populares e folclóricas são formas de representar a cultura regional, pois retratam seus valores e crenças. Podemos conhecer a cultura de outras regiões através de suas danças típicas, e com isto enriquecer nosso repertório (FELÍCITAS, in Carbonera e Carbonera, 2008).

O último aspecto que não posso deixar de comentar é o trabalho com danças mais mostradas pela mídia.

O professor deve tomar cuidado . Ele não pode, de maneira alguma, reforçar modismos, que geralmente são lançados pelos meios de comunicação de massa com intenção exclusivamente comercial. Ele deve alertar seus alunos sobre os interesses da indústria cultural para que seu trabalho não omita a existência dos estilos comerciais, mas desperte o senso crítico de seus educandos a respeito deles.

Aproveitando o contexto de danças atuais, ou as que os alunos mais se interessarem, o professor direciona seu planejamento, para não cair no modismo.

Portanto, quando se trata de axé, rap e funk, entre outros, muitas vezes apresentam letras e coreografias de teor apelativo.

A dança pode (e deve) ser usada como meio de crítica social para o questionamento de valores preestabelecidos, padrões repetitivos e modismos, que aparecem incessantemente em programas de televisão, internet e rádio.

 

Estas são as maiores problemáticas que observo.

Assim, este artigo conclui que a atividade física é essencial na vida do ser humano. E a dança pode ser uma forma da criança se movimentar desde pequena.

As aulas de dança contribuem no processo de desenvolvimento e formação da criança, desde que bem trabalhadas, com método adequado. Associada ou não à Educação Física, a dança na escola deverá ter uma função educacional pedagógica.

Os professores são responsáveis por programar um ensino que crie oportunidades aos seus alunos para o envolvimento, a motivação, o entusiasmo, a curiosidade e o espírito crítico.

A dança na escola quando bem aplicada, possibilita às meninas e meninos uma “formação corporal global, ampliando suas capacidades de interação social e afetiva, desenvolvendo as capacidades motoras, cognitivas e sociais. Quando realizada de forma lúdica e não competitiva, a dança escolar passa a ser agente de formação e transformação, possibilitando oportunidades de humanização e integração entre todos os alunos, aumentando assim a auto-estima colocando em prática o sentido de uma educação voltada para a inclusão” (MELO FERNANDES, 2009).

 

Com amor,

PRISCILA CRISTINE RIBEIRO

Professora de educação física, mãe e blogueira.

Blog www.maternoamoreterno.blogspot.com

Instagram: @maternoamoreterno

Perfil pessoal: Pry Cristine Maternoamoreterno  – https://www.facebook.com/priscila.ribeiro.3150

Fanpage: Fabriquinha de brinquedos

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Canal no Youtube Priscila ribeiro

 

Andresa de Souza Ugaya colaborou com este artigo.

Andresa é licenciada em Educacao Física pela UNICAMP. Pesquisa a área de dança, cultura e educação. Professora na UNESP – Bauru. Integrante dos grupos Pavio de Candieiro e Maracatu Abayomi.

 

Referências:

BRASIL, S. de E. F. Parâmetros Curriculares Nacionais. Primeiro e segundo ciclos do ensino fundamental: educação física. Brasília: Ministério da Educação/Secretaria de Educação Fundamental, 1997.

Dança escolar sua contribuição no processo ensino-aprendizagem. Marcela de Melo Fernandes. Disponível em

http://www.efdeportes.com/efd135/danca-escolar-no-processo-ensino-aprendizagem.htm

A dança na escola. Equipe Educacional. Disponível em:

http://www.educacional.com.br/educacao_fisica/educadores/educadores22.asp

Dança na escola: uma educação pra lá de física. Paulo Araujo.

Disponível em:

http://novaescola.org.br/educacao-fisica/pratica-pedagogica/danca-escola-educacao-pra-la-fisica-424014.shtml

A importância da dança no contexto escolar. Daniele carbonera, Sergio Antonio Carbonera.

Disponível em:

http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos_teses/EDUCACAO_FISICA/monografia/DANCA_ESCOLA.pdf

Acessos em 29 de junho de 2016


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