NATAÇÃO E AUTO-SALVAMENTO

A água é um elemento que as crianças apreciam desde cedo e por meio da qual ganham uma grande variedade de oportunidades de aprendizado.

pri1

A relação do ser humano com o meio líquido vem desde sua concepção e evolução no meio intra-uterino.

Na água a criança descobre e cria movimentos com naturalidade, favorecendo assim a exploração e o aprimoramento da motricidade, segundo Mazarini (1992).

A natação é a múltipla relação pura e simples, com a água e com o próprio corpo”, diz Dieckert (apud Bueno, 1998).

Muitos autores afirmam que ela é o exercício mais completo, em que se desenvolvem tanto as capacidades físicas, como flexibilidade, força, resistência, quanto as orgânicas, como capacidade respiratória, e cardiocirculatória.

Neste ambiente, é possível estimular o desenvolvimento global da criança.

Justificando-se utilizar a atividade em água com meio de ação mais global, podemos defini-la, conforme Escobar &Burkhardt (apud Bueno, 1998) como “a utilização do movimento como meio para estimular o desenvolvimento do homem de forma que lhe permita se conhecer e aceitar-se, ajustando sua conduta às exigências do meio social” de forma lúdica e prazerosa.

pri2

 

As atividades se baseiam nos princípios biomecânicos e físicos da água e no desenvolvimento humano.

Por exemplo, uma força contrária à ação da gravidade, chamada empuxo, facilita a flutuabilidade do corpo na água.

 

TRATAMENTO DA ÁGUA:

Os principais tipos de água utilizados hoje em dia em piscinas são: salinizada, com cloro e ionizada.

A salinização é uma composição de água e sal, em dose bem mais baixa do que a da água do mar.

A água salinizada dá a sensação de se nadar em um ambiente mais leve e menos pegajoso do que a clorada.

Segundo entrevista na internet com um especialista em vigilância sanitária o método da salinização o não causa irritações nos olhos, pele e couro cabeludo.

“Além disso, ele destrói bactérias, algas e micros organismos que se desenvolvem na água da piscina”.

Já na água ionizada ocorre a aplicação de ozônio. “Variedade do oxigênio que se forma na atmosfera por reações fotoquímicas, o ozônio é um agente que promove a sanitização aquática”, explica. Em outras palavras, o procedimento provoca a floculação de partículas de sujeira e gordura e a retenção de bactérias, germes e fungos.

Esse tipo de filtro –- sem química – também evita a desidratação da pele e dos cabelos, olhos irritados, coceiras e transmissão de doenças infecciosas e micoses

Mas o cloro ainda é o mais utilizado até hoje.

Pode deixar pele e cabelos ressecados, sendo recomendável hidratá-los frequentemente.

Aconselha-se que pessoas com problemas respiratórios e com alergias de pele procurem piscina que utilizam um dos outros dois tratamentos citados.

TEMPERATURA:

pri3


A água fria e a água quente provocam efeitos em nosso organismo.

No que se refere à temperatura para a natação, recomenda-se que a água permaneça entre 25 e 30 graus Celsius.

Em minha experiência prática no atendimento especializado em piscina para bebês e crianças com deficiência, percebi que em aulas com bebês e crianças com problemas de saúde, o ideal é a piscina com a temperatura um pouco mais elevada, de 29 a 31.

IDADE:

pri4


As aulas em piscina podem ser recomendadas a partir do momento que o bebê esteja vacinado com as duas primeiras vacinas obrigatórias, ou seja por volta dos 4 meses.

Geralmente as academias pedem um atestado médico com liberação do pediatra que acompanha a criança.

AUTO-SALVAMENTO:

O afogamento é uma das principais causas de morte e incapacidade.

A aspiração de líquido, causando parada respiratória pode ser fatal ou trazer seqüelas para toda a vida.

É um perigo, que pode acontecer com uma criança até mesmo em baixa profundidade de água.

Desta forma, a prevenção de afogamentos pode ser um motivo para os pais matricularem seus filhos em aulas de natação.

A adaptação ao meio líquido desde cedo, pode salvar a vida de crianças que acidentalmente caem em uma piscina, rio ou lago, sem acompanhamento de um adulto que saiba nadar.

Nos Estados Unidos existe há décadas uma empresa chamada  Infant Swim Resource, especialista em treinamento para sobrevivência aquática.

A ISR é uma organização reconhecida nos EUA, que ensina natação de auto salvamento para crianças de 6 meses a 6 anos.

Este método chegou recentemente ao Brasil, com o nome de ISR Brasil.

Ainda conta com poucos treinadores formados pela Infant Swim e é oferecido somente em alguns grandes centros urbanos.

O atendimento da criança é individual e realizado durante 5 dias da semana, por 10 minutos.

 

Os bebês de 6 aos 12 meses aprendem a rolar a partir de uma posição de face para baixo na água para uma posição de flutuar. O bebê vai ser ensinado boiar, a descansar e respirar de costas para a água, até chegar ajuda.

Crianças a partir dos 12 meses, aprendem uma sequência de natação de nadar-boiar-nadar. Estas crianças vão ser ensinadas a nadar de bruços com os braços e as pernas; rolar e flutuar, para descansar e respirar, e então virar de bruços novamente para continuar a nadar até que cheguem a um ponto de segurança, como a borda da piscina ou às margens de uma lagoa ou rio.

Esta sequência de natação de nadar-boiar-nadar pode ser repetida tantas vezes quantas forem necessárias para alcançar a segurança.

 

Segundo o criador do método, os alunos desenvolvem estas habilidades em até 6 semanas, sendo capazes de nadar de forma independente para chegar até um ponto seguro.

 

AUTO-SALVAMENTO E AULAS TRADICIONAIS DE NATAÇÃO:

 

Como na maioria dos locais que oferecem aulas de natação não existe a formação específica do método, as aulas normais podem contribuir e muito para a auto-suficiência da criança quando estiver sozinho na água, ensinando determinadas habilidades, como respiração, flutuação, propulsão (batimento de pernas e braços).

A primeira coisa que é ensinada é a respiração, a fazer bolinhas, pegando o ar pela boca e soltando pelo nariz.

No início as crianças não têm coordenação motora para nadar, mas já conseguem “se virar” na água.

Chamamos isto de nado de sobrevivência, me informa o professor de educação física e proprietário de academia de natação, Luiz Raphael Rocha. E completa que “isto nada mais é do que conseguir se locomover na água – mesmo que se debatendo – até onde alcançar o pé no chão ou até a borda da piscina para se segurar, enquanto um adulto chega ou para sair sozinha”.

Se a criança aprender a se deslocar pela água, não beber água, poupar desgaste físico demasiado, pedir ajuda, poderá ter êxito em uma situação de emergência.

 

 

DICAS:

Palmer (1990) relata certas normas que dizem respeito à segurança e na piscina:

  • Extremidade rasa / extremidade funda: cabe ao professor no primeiro dia de aula informar ao aluno cego qual é a extremidade rasa e a funda da piscina.
  • Movimentação na piscina: a movimentação em volta da piscina precisa ser cuidadosa durante todo o tempo, pois quando a área está molhada ela se torna muito escorregadia e perigosa, dependendo do tipo de piso.
  • Entrada e saída da água: é necessário assegurar que nenhum aluno entre na água antes que o professor esteja lá dentro, completamente pronto e capaz de prestar atenção a eles durante toda a aula.
  • Uso de óculos: alguns alunos utilizam quando farão exercícios que envolvam imersão, pois os olhos dos indivíduos podem ser afetados por substâncias químicas da água, causando-lhe alergias ou outros tipos de reações.
  • A área de salto: os alunos devem estar seguros de que a área esteja livre e que está na profundidade adequada para realizar este tipo de atividade, antes de se lançarem na água. O indivíduo corre o sério risco de cair sobre uma outra pessoa ou até mesmo se machucar com o impacto na água ou no fundo da piscina.
  • Uso de jóias e relógios: é desaconselhável o uso destes acessórios dentro da piscina, pois o contato corporal entre as pessoas é muito provável de ocorrer. Objetos cortantes usados nas mãos, braços ou pernas podem atingir o corpo, resultando em ferimento.

 

Lembrando que criança nunca pode ficar sozinha na piscina sem nenhum adulto por perto. Precaução sempre é melhor!

 

 

REFERÊNCIAS:

 

BUENO, J.M. PSICOMOTRICIDADE TEORIA E PRÁTICA: Estimulação, Educação e Reeducação Psicomotora com Atividades Aquáticas. São Paulo: Lovise, 1998.

MAZARINI, C. Natação para crianças portadoras de deficiencia visual : uma proposta de ensino. Universidade Estadual de Campinas. Dissertação de mestrado. 1992.

PALMER, M.  A ciência do ensino da natação. São Paulo: Manole, 1990.

 

OBS: As ilustrações utilizadas foram retiradas de banco gratuito de imagens na internet.

 

PRISCILA CRISTINE RIBEIRO

Professora de Educação Física e mamãe.

 

Blogs www.maternoamoreterno.blogspot.com, www.professoradeeducacaofisica.blogspot.com e www.energiaemovimento.blogspot.com

Instagram: @prycristine_maternoamoreterno

Facebook: Pry Cristine Maternoamoreterno  – https://www.facebook.com/priscila.ribeiro.3150


2 comentários sobre “NATAÇÃO E AUTO-SALVAMENTO

  1. Parabéns Pry! Pela matéria! Dicas valiosas pra quem tem, cuida, acompanha, educa e até para os que não tem filhos… nossos pequenos e a água têm uma relação muito gostosa, espontaneamente natural, mas nos precavendo dos perigos acho a melhor forma de exercícios e bem estar para eles!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s