Teoria da Extero – Gestação

Hoje em dia estamos cada vez mais informados sobre gestação, parto, amamentação e tudo que envolve a maternidade.

Venho nesse post falar sobre essa teoria que está ajudando muitas mamães de primeira viagem que acabam muito inseguras com o nascimento do primeiro filho.

O primeiro a transmitir o conceito da extero – gestação foi o antropólogo inglês Asheley Montagu , porém, o responsável por transformar essa teoria mais popular foi o pediatra norte – americano Harvey Karp.

Foi descoberto então que os bebês humanos nascem infinitamente imaturos se comparados com os filhotes de muitos animais. O fato é que nossos bebês necessitam nascer mais cedo do que deveriam, com seus cérebros não totalmente desenvolvidos, pois se o bebê humano nascesse com o sistema nervoso central amadurecido a cabeça não passaria pela pelve estreita da mãe na hora do parto. O bebê ao nascer se parece mais com um feto do que com um ser humano plenamente desenvolvido necessitando ainda por três meses, além dos nove de gravidez ter ainda as sensações que o útero reproduz.

Em virtude de o bebê nascer tão imaturo é importante que os pais saibam que passado pelo momento do parto o bebê ainda continua o processo de gestação, ou seja, de uma situação de gestação intra – uterina para uma gestação extero – uterina, num relacionamento de relação contínua e cada vez mais complexa com a mãe, a única pessoa no mundo capaz de satisfazer todos os seus anseios e vontades.

O crescimento do nosso cérebro após o nascimento é mais rápido do que o de qualquer outro mamífero e segue neste ritmo por 12 meses

Seu primeiro meio de comunicação com o mundo externo são os sinais que o recém – nascido recebe pela pele. As contrações do útero contra o corpo do feto desempenham um papel importante no preparo da pele para o seu funcionamento no mundo exterior.

A seleção natural demanda que pais cuidem de seus filhos por um longo período e que os filhos dependam dos pais. Esta necessidade mútua traduz-se em um estado emocional chamado “apego”.

Em algumas culturas, os bebês raramente choram por longos períodos e não há sequer uma palavra que signifique “cólica”. As mães carregam os bebês junto ao corpo, com um aparato semelhante a um “sling”, mesmo quando saem para a colheita. A relação mãe-bebê é considerada sacrossanta, eles permanecem juntos o tempo todo. O bebê tem livre acesso ao seio materno e vê o mundo do mesmo ponto de observação que sua mãe.

Nossa cultura ocidental não permite um estilo de vida idêntico ao de tribos primitivas, mas podemos tirar lições valiosas sobre como ajudar nossos bebês na adaptação à vida extra-uterina.

Nos primeiros 3 meses de vida, o bebê humano é tão imaturo que seria benéfico a ele voltar ao útero sempre que a vida aqui fora estivesse difícil.

É preciso compreender o que o bebê tinha à sua disposição antes do nascimento, para saber como reproduzir as condições intrauterinas. O bebê no útero fica apertadinho, na posição fetal, envolvido por uma parede uterina morninha, sendo balançado para frente e para trás a maior parte do tempo. Ele também estava ouvindo constantemente um barulho “shhhh shhhh”, mais alto que o de um aspirador de pó (o coração e os intestinos da mãe).

A reprodução das condições do ambiente uterino leva a uma resposta neurológica profunda “o reflexo calmante”. Quando aplicados corretamente, os sons e sensações do útero têm um efeito tão poderoso que podem relaxar um bebê no meio de uma crise de choro.

luciana

Os 5 métodos para acalmar um bebê até 3 meses de idade:

  1. Pacotinho ou casulo (embrulhar o bebê apertadinho)

A pele é o maior órgão do corpo humano e o toque é o mais calmante dos cinco sentidos. Embrulhadinho, o bebê recebe um carinho suave. Bebês alimentados, mas nunca tocados, frequentemente adoecem e morrem. Estar embrulhadinho não é tão bom quanto estar no colo da mãe, mas é um ótimo substituto para quando a mãe não está por perto.

  1. Posição de Lado

Quanto mais nervoso seu bebê estiver, pior ele fica quando colocado sobre as costas. Antes de nascer, seu bebê nunca ficou deitado de costas. Ele passava a maior parte do tempo na posição fetal: cabeça para baixo, coluna encolhida, joelhos contra a barriga. Até adultos, quando em perigo, inconscientemente escolhem esta posição.

Segurar o bebê de lado ou com a barriga tocando os braços do adulto ajuda a acalmá-lo (a cabeça fica na mão do adulto, o bumbum encostado na dobra do cotovelo do adulto, com braços e pernas livres, pendurados). Carregar o bebê num sling ( carregador de pano ), de forma correta, respeitando a fisiologia do bebê, ou seja, em posição de cócoras (sua posição natural desde o nascimento tem um ótimo efeito. Atualmente especialistas são unânimes em dizer que bebês NÃO DEVEM SER POSTOS PARA DORMIR DE BRUÇOS, pelo risco de morte súbita.

 

  1. Shhhh Shhhh – O som favorito do bebê

O som “shhh shhh” é parte de quem somos, tanto que até adultos acham o som das ondas do mar relaxante. Para bebês novinhos, “shhh” é o som do silêncio. Ele estava acostumado a ouvir esse som 24 horas por dia, tão alto quanto um aspirador de pó. Imagine o choque de um bebê acostumado a esse som o tempo todo chegando a um mundo onde as pessoas cochicham e caminham na ponta dos pés, tentando fazer silêncio!

Coloque sua boca 10-20 cm de distância dos ouvidos do bebê e faça “shhh”, “shhh”. Aumente o volume do “shh” até ficar tão alto quanto o choro do bebê. Pode parecer rude tentar “calar” um bebê choroso fazendo “shh”, mas para o bebê, é o som do que lhe é familiar.

Na primeira vez fazendo “shhh”, seu bebê deve calar após uns 2 minutos. Com a prática, você será capaz de acalmar o bebê em poucos segundos. É ótimo ensinar isso aos irmãos mais velhos, que adorarão poder ajudar e acalmar o bebê.

Para substituir o “shhh”, pode-se ligar:

  • secador de cabelos ou aspirador de pó
  • som de ventilador ou exaustor

  • som de água corrente

  • um CD com som de ondas do mar

  • um brinquedo que tenha sons de batimentos cardíacos

  • rádio fora de estação ou babá eletrônica fora de sintonia

  • secadora de roupas ligada com uma bola de tênis dentro

  • máquina de lavar louças

O barulho do carro ligado também acalma a criança.

  1. Balanço

“A vida era tão rica no útero. Rica em sons e barulhos. Mas a maior parte era movimento. Movimento contínuo. Quando a mãe senta, levanta, caminha e vira o corpo – movimento, movimento, movimento.” (Frederick Leboyer, Loving Hands)

Quando pensamos nos 5 sentidos – visão, audição, tato, paladar e olfato – geralmente esquecemos o sexto sentido. Não é intuição, mas a sensação de movimento no espaço.

Movimento rítmico ou balanço é uma forma poderosa de acalmar bebês (e adultos). Isso porque o balanço imita o movimento que o bebê sentia no útero materno e ativa as sensações de “movimento” dentro dos ouvidos, que por sua vez ativam o reflexo de acalmar.

Como balançar ?

  1. Carregando o bebê num “sling” (carregador de pano) ou canguru ergonômico;
  2. Dançando (movimentos de cima para baixo);
  3. Colocando o bebê num balanço;
  4. Dando tapinhas rítmicos no bumbum ou nas costas;
  5. Colocando o bebê na rede;
  6. Balançando numa cadeira de balanço;
  7. Passeando de carro;
  8. Colocando o bebê em cadeirinhas vibratórias (próprias para isso);
  9. Sentando com o bebê numa bola inflável de ginástica e balançando de cima para baixo com ele no colo;
  10. Caminhando bem rapidamente com o bebê no colo.

Quando balançar o bebê, seus movimentos devem ser rápidos porem curtos. A cabeça do bebê não fica sacudindo freneticamente. A cabeça move no máximo 2-5 cm de um lado para o outro. A cabeça está sempre alinhada com o corpo e não há perigo de o corpo mover-se numa direção e cabeça abruptamente ir na direção oposta.

  1. Sucção

No útero, o bebê está apertadinho, com as mãos sempre próximas ao rosto, sugando os dedos com frequência. Quando nasce, não mais consegue levar as mãos à boca. A sucção não-nutritiva é outra forma de acalmar o bebê. A amamentação em livre demanda não é recomendada somente para garantir a nutrição do bebê e a produção de leite da mãe, mas também para suprir a necessidade de sucção não-nutritiva. Alguns especialistas orientam às mães a darem chupetas para isso, mas ainda que a chupeta seja oferecida ao bebê, não deve ser introduzida nas 6 primeiras semanas de vida, quando a amamentação ainda está sendo estabelecida. Há sempre o risco de haver confusão de bicos e o bebê sugar o seio incorretamente.

É importante lembrar que o bebê nunca chora à toa. O choro nos primeiros meses de vida é a única forma de comunicar que algo está errado. Ainda que ele esteja limpo e bem alimentado, muitas vezes chora por necessidade de aconchego e calor humano. Por isso, falar que bebê novinho (recém – nascido até 3 meses ou mais) faz mãnha (no sentido de chorar para manipular “negativamente” os pais) não tem sentido, bebês novinhos simplesmente não tem maturidade neurológica para tanto.

É importante lembrar que cada uma dessas sensações ativa cada bebê de maneiras diferentes. Alguns deles precisam de todos os 5 métodos enquanto outros podem se acalmar com somente 1 ou 2 Ss.

Bibliografia:

O bebê mais feliz do pedaço, Dr. Harvey Karp, Bantam Dell, 2002. New York.

Our Babies, Ourselves: How Biology and Culture Shape the Way We Parent, Meredith F. Small, Anchor Books, 1998. New York.

Texto escrito e adaptado por Luciana Faro – Consultora de Babywearing


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